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Quarta, 26 Abril 2017 03:23

O colapso nas ruas e a crise nas penitenciárias

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Além dos problemas graves já comuns do Sistema Penitenciário, como a superlotação e a falta de efetivo de agente penitenciários, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) enfrenta, agora, um desafio ainda maior: a briga entre as facções, que antes conviviam amigavelmente. Os presos se recusam a serem mantidos com os rivais. Mas se as vagas são escassas, como dividí-los no Sistema pela afinidade entre as facções? Enquanto a questão não é resolvida, Fortaleza corre o risco de um novo colapso.

Uma fonte ligada à cúpula da Segurança Pública diz que a situação é dramática. "Antes as coisas davam minimamente certo, porque não eram as facções que brigavam. As confusões eram pontuais entre uma gangue de bairro que ameaçava outra, um chefe de quadrilha que se sentia ameaçado, duas pessoas que tinham brigado aqui fora e se encontravam lá dentro. Coisa que podia ser resolvida com a transferência de pouca gente. Agora eles querem que seja feita uma verdadeira readequação no Sistema, para que as facções amigas fiquem nas mesmas unidades, mas não dá para fazer isso".

A fonte diz que as facções são monitoradas e as lideranças identificadas, porém movimentos como os que foram iniciados na última quarta-feira (19) e duraram até o sábado (22) são difíceis de controlar. "Com a facilidade que uma mensagem se espalha na internet é muito complicado controlar uma série de ataques como essa. Eles emitem o que chamam de 'salve' e as pessoas que estão soltas vão cumprindo. Nosso grande problema é que a comunicação dos criminosos e os comparsas deles não é interrompida na prisão. Os muros dessas penitenciárias viraram apenas um símbolo, porque com o celular na mão não tem ninguém realmente preso".

Um policial de uma célula de Inteligência afirmou que algumas medidas emergenciais foram tomadas para controlar situações como esta, que surpreendeu Fortaleza, mas foram apenas paliativas. "Quando houve a briga nacional entre PCC e Comando Vermelho e houve aquela grande rebelião em Manaus as facções foram separadas nos Estados em que havia tensão. O Ceará fez isso, mas sabia que estava resolvendo as coisas só por aquele momento. O Sistema Penitenciário é um moribundo medicado com morfina: passa a dor, mas não melhora".

Na sexta-feira (21), promotores de Justiça estiveram em unidades prisionais e conversaram com detentos. O advogado de um preso da facção Guardiões do Estado (GDE) revelou à reportagem que houve tratativas sobre possíveis transferências com os detentos. O Ministério Público do Ceará (MPCE) disse "que acompanha todos os acontecimentos do Sistema Penitenciário, inclusive, com inspeções diárias oficiais nas unidades prisionais. O trabalho vem sendo feito pelas Promotorias de Justiça de Execução Penal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Núcleo de Investigações Criminosas (Nuinc). O órgão informa que, após ouvir os internos da unidade conhecida como Carrapicho, discutiu a adequação deles à Lei de Execuções Penais (LEP), realizando ajustes dentro da própria unidade".

Problemas anteriores

Outro servidor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que falou com a reportagem, confirmou que os problemas são antigos e que estão se agravando. Segundo ele, na quarta-feira (19), três presos que estavam sendo sistematicamente espancados em uma unidade do Complexo Penitenciário de Itaitinga foram retirados de lá e encaminhados para uma carceragem da SSPDS. Nos dias que antecederam os ataques, se espalhou um vídeo de um preso sendo agredido em uma unidade do mesmo Complexo.

"A falta de limites beira o inacreditável. O que os criminosos fizeram foi uma chantagem com o Estado. Estavam promovendo espancamentos e pararam a Capital para serem notados. Muita gente se diz comprometida com a resolução dessa crise, mas como tanta gente não viu antes que isso iria estourar?"

A Sejus, informou através da assessoria de imprensa, que "a situação nas penitenciárias está tranquila, sem nenhum relato de movimentações suspeitas ou motins". O órgão acrescentou que "não houve nenhuma transferência de internos neste fim de semana e não há nenhuma transferência programada até a próxima semana".

Líder da FDN

Outro fato ocorrido nas ruas que está sendo atribuído ao confronto entre as facções criminosas é a execução de Vainer Matos Magalhães, morto na quinta-feira (20), na Avenida Santos Dumont. O homem que estava no Ceará com um documento em nome de Vagner Córdovas Magalhães seria uma peça importante da Família do Norte (FDN).

'Vainer Pepe' era procurado no Estado do Amazonas, tanto pela Polícia, quanto por criminosos de facções rivais. "Ele fazia transporte de armas e drogas, até mesmo de outros países. Encontrou refúgio aqui. Como quase ninguém o conhecia, o plano era ganhar muito dinheiro com a atividade que desempenhava. Só que essas facções têm 'olhos' em todos os Estados e descobriram onde ele estava", afirmou o servidor da SSPDS.

O investigador explica que matar um criminoso reconhecido na hierarquia da facção rival faz com que o executor cresça na dele. "É uma demonstração de poder. A verdade é que essas facções todas são rivais, por mais que vivam amigavelmente por um tempo cada uma tem seus interesses e quando a outra interferir vai gerar um conflito. Não dá para saber qual delas pode ter cometido o homicídio ainda, porque todas teriam algum interesse na morte dele".

O policial ressalta a arma e a logística do crime. "O atirador usou uma pistola com poder de fuzil, que as Forças Armadas de outros países utilizam. Uma arma capaz de furar alguns tipos de blindagens. O suspeito é alguém de confiança na facção, que os líderes sabiam que não corria o risco de a Polícia encontrá-lo e apreender a arma, porque ela custa muito caro".

Ônibus devem circular normalmente hoje

Todas as linhas de ônibus devem voltar ao funcionamento regular hoje, sem o esquema de comboio acompanhado pela Polícia Militar, garante o Sindicato das Empresas de Ônibus de Fortaleza (Sindiônibus). A informação já havia sido confirmada pelo prefeito Roberto Cláudio no sábado (22). "Garantia nossa. Tivemos reunião com a Etufor", declarou em entrevista à rádio AM 810 Verdinha. Entretanto, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), informou que haverá, sem previsão para o término, esquema especial de segurança para 45 linhas de coletivos da Capital.

No terminal do Papicu, o movimento de ônibus era normal. Entretanto, as pessoas ainda não se sentiam tranquilas ao usar o transporte coletivo FOTO: KID JÚNIOR

"Queria registrar a contundência e a firmeza da resposta do governador Camilo Santana e das Forças de Segurança do Estado. Se quiseram amedrontar ou constranger as ações do Governo, quebraram a cara. O Governo não cedeu, foi para cima, mandou uma mensagem dura, prendeu 16 pessoas. E o mais importante, quando a Prefeitura procurou o Governo para garantir o apoio das Forças de Segurança para o transporte público, de imediato foi garantido. Os ônibus, na quarta-feira de noite e na quinta-feira durante o dia, seguiram em comboio da PM ligando os terminais", destaca o prefeito Roberto Cláudio.

'Apreensão'

Ontem, a reportagem do Diário do Nordeste percorreu o terminal do Papicu e, de acordo com policiais militares, nenhum ônibus seguia em comboio com a PM. Apesar da normalidade, passageiros ainda se sentiam inseguros no transporte coletivo.

Para o professor Francisco Queiroz, falta ônibus em alguns bairros de Fortaleza. "Eu acho que ainda não está normal, falta segurança e os ônibus estão demorando a passar", diz. Segundo ele, muita gente está revoltada com a falta de transporte público em pontos da Capital.

Já para a atendente Tainara Arcelino, a normalidade vai retornando aos poucos. "Normal não está, mas está mais tranquilo, por enquanto", afirma. Ela conta que foi rápido chegar ao terminal do Papicu, mesmo sendo um domingo. Tainara ainda diz que algumas amigas reclamaram da falta de transporte no bairro Vila Velha.

O estudante Igor Paccini afirma que ainda não se sente seguro usando os coletivos, mas explica que notou um clima de tranquilidade na ida ao terminal.

 

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